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Publicado em 23 de junho de 2026
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O que a metodologia 70-20-10 ensina às empresas na era da inteligência artificial

A Inteligência Artificial tornou o acesso ao conhecimento praticamente ilimitado. O que continua escasso é a capacidade de transformá-lo em julgamento, influência, liderança e tomada de decisão, de acordo com Raquel Laham, senior partner de advisory e desenvolvimento de liderança da WPeople. “E isso não se aprende em um curso, mas liderando uma transformação, conduzindo uma conversa difícil, assumindo um projeto fora da zona de conforto ou recebendo um feedback que gera reflexão”, afirma.

 Por isso, para ela, continua relevante a metodologia 70-20-10, um modelo de evolução profissional que defende que a aprendizagem efetiva seja composta por 70% de experiência prática, 20% de interação social e 10% de treinamento formal.  

“O grande valor do método é lembrar que o desenvolvimento acontece principalmente no fluxo do trabalho e das relações humanas, e não apenas na sala de aula, física ou virtual”. 

No entanto, a executiva ressalta que a experiência, por si só, não gera aprendizado. “O que evolui é a combinação entre experiência, feedback, reflexão e intenção. 

É aí que coaching, mentoria e boas lideranças fazem tanta diferença”. Além desse cuidado, Raquel diz que há um erro comum entre as empresas que tentam aplicar a teoria na prática:  “muitas pensam que a 70-20-10 é uma fórmula, quando, na verdade, deveria ser encarada como uma mentalidade de desenvolvimento”, esclarece. 

Nesse sentido, a executiva afirma perceber um forte investimento nos 10%, em treinamentos, plataformas e conteúdos, e pouco na criação de experiências intencionais de aprendizagem. 

“Grande parte das organizações colocam as pessoas em projetos desafiadores, mas sem clareza sobre o que precisam desenvolver, sem momentos estruturados de reflexão e sem líderes preparados para apoiar esse processo”.

O papel da liderança se destaca

Na visão de Raquel, a essência do método não muda, independentemente do cenário de IA, de jornada híbrida e de equipes cada vez mais distribuídas: “o que muda é a forma como criamos oportunidades de aprendizagem”, diz a especialista. 

“Hoje, a tecnologia e a IA permitem personalizar conteúdos, identificar gaps de competências e democratizar o acesso ao conhecimento. Mas, ao mesmo tempo, o trabalho híbrido exige ainda mais intencionalidade na construção das conexões humanas”. 

Sua orientação é que as empresas passem a desenhar experiências que promovam exposição a desafios reais,  a estimular trocas entre pares, mentorias e comunidades de aprendizagem, além de conversas de desenvolvimento mais frequentes. 

“O papel do líder se torna ainda mais importante: menos como alguém que ensina e mais como alguém que cria contexto, provoca reflexão e acelera o aprendizado do time”, afirma. 

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